quinta-feira, 22 de junho de 2017

O Sagrado Coração de Jesus nos ama assim como seu Pai O ama

Santinho católico com representação do Sagrado Coração de Jesus, cerca de 1880. Xoleção Auguste Martin, Bibliotecas da Universidade de Dayton.

Monsenhor de Ségur (*) | Tradução Sensus fidei: No mesmo dia da instituição da Eucaristia estando ainda no Cenáculo, Nosso Senhor dirigiu a seus discípulos uma palavra admirável, saída como ardente chama do fundo de seu Coração: “Amo-vos: Ego dilexi vos”.[1] Paremos aqui um pouco, e meditemos bem esta palavra.
Oh, quão docemente soa nos lábios do soberano Senhor do universo, do Deus da eternidade! Quão boa e consoladora é para a alma verdadeiramente cristã! “Amo-vos”, disse Jesus.
Se um grande rei se dignasse entrar um dia na choça do último de seus vassalos para dizer-lhe: “Te amo, e venho aqui expressamente para dizer-te isso”, que gozo não sentiria aquele pobre homem!

Se um Anjo do céu ou um Santo, se a mesma Imaculada Virgem Maria, Rainha de todos os Santos, se dignasse aparecer de repente a algum pobre pecador, e dizer-lhe publicamente em presença de todos: “Te amo; tu és meu coração!” que pasmo, que transportes não experimentaria aquele pecador!
Pois bem, vede aqui infinitamente mais; vede o Rei dos reis, o Santo dos santos, o soberano Senhor do céu, baixar expressamente aqui embaixo para dizer a nós, pobres pecadores: “Amo-vos: Eu, Criador de todas as coisas; Eu, que governo todo o universo; Eu, que possuo todos os tesouros do céu e da terra; Eu, que faço o que quero, sem que ninguém possa resistir à minha vontade; Eu vos amo! Ego dilexi vos.
Que consolo, doce Redentor meu! Não houvera sido já demasiado dizer-nos: “Penso algumas vezes em vós: fixo meu olhar em vós uma vez ao ano; tenho alguns bons desígnios sobre vós?” Mas não: quereis assegurar-nos que nos amais, e que vosso divino Coração está cheio de ternura por nós; nós que nada somos; por nós, vermes da terra, criaturas ingratas que os temos crucificado, e que tantas vezes temos merecido o inferno!
Mas como nos ama o adorável Coração do Salvador? Escutai: Sicut dilexi me Pater;[2] amo-vos como me ama meu Pai; amo-vos tão de Coração, com o mesmo amor com que meu Pai ama a Mim.
E qual é esse amor com que Deus Pai ama seu Filho? É um amor que reúne quatro grandes qualidades; qualidades que se falam por conseguinte no amor que Jesus tem por nós.
É antes de tudo um amor infinito, ou seja, sem limites e sem medida: o amor incompreensível é inefável; amor tão grande como a essência mesma de Deus. Medi, se podeis, a extensão e grandeza do amor que Jesus tem por nós.
Em segundo lugar, o amor do Pai a seu Filho é eterno. A eternidade é a duração invariável, imutável; a duração perpétua, sem princípio nem fim. Oh, Jesus, Verbo eterno! Bem mereceis este amor, que compensa em tudo as defecções de vossas criaturas, já rebeldes, já simplesmente débeis, tíbias, inconstantes.
Pois bem, com esse mesmo amor eterno com que Jesus é amado de seu Pai, cabe-nos a dita de ser amados de Jesus; porque, é preciso não esquecer, continua sendo a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, a Pessoa eterna do Unigênito de Deus. Jesus Cristo, pois, ama-nos com amor verdadeiramente eterno.
Não bastará a eternidade para devolver amor por amor, um amor sem fim por um amor eterno. E que fazemos nós no tempo? Amamos a Jesus Cristo? Ai! Quão ingratos somos perdendo este precioso tempo, semente da eternidade, em amar a terra e suas bagatelas!
Em terceiro lugar, o amor do Pai celestial a seu Filho é universal, isto é, que plenifica todos os corações do céu e da terra. Plenifica o céu; pois o Pai ama a Jesus com todos os Anjos e Bem-aventurados. Plenifica a terra; porque ama também a Jesus Cristo em união dos corações de todos os fiéis. Com efeito, que é no fundo esse divino amor do Pai ao Filho e do Filho ao Pai, senão o amor substancial e pessoal, o Espírito de amor, o Espírito Santo?
Com este mesmo amor me ama meu Salvador. Esse mesmo Espírito é o que a todos nos deu, e o que difunde esse amor em nossos corações.[3] Jesus me ama pelo coração e no coração da Santíssima Virgem, de São José, de cada um de seus Anjos e Santos. Que imensidão! Ama-me pelo coração e no coração de todos os membros de sua Igreja, começando pelo Papa, por meu Bispo, por todos os sacerdotes que amam e cuidam de minha alma, por todos meus benfeitores.
Mais ainda: por um efeito deste admirável e universal amor, proíbe a todos os homens, sob pena de pecado e de condenação, que danem a minha alma, meu corpo, minha reputação e meus bens; e além disso lhes manda que sejam verdadeiramente meus irmãos, amando-me como a eles mesmos. É possível levar mais longe a solicitude do amor?
Como disse Santo Agostinho, “o céu e a terra, e tudo o que contém, não cessam de dizer-me que devo amar a Deus”.[4] Deus amando-me em todas as partes; e eu, ingrato, ofendendo-o em todas” Ah! Não o permitas jamais, bondosíssimo Salvador, antes bem fazei vos ame e bendiga sempre.
Finalmente, o amor que o Pai tem ao Filho é essencial e total, ou seja, um amor de todo o seu ser. Este divino Pai ama seu Filho Jesus com tudo o que é, sendo todo amor para com Ele. O amor que Jesus Cristo se digna ter-nos é igualmente um amor essencial, um amor total, pois nos ama com tudo o que é e com tudo o que tem. Sua divindade, sua humanidade, sua alma, seu corpo, seu sangue, todos os seus pensamentos, palavras e ações; suas privações, humilhações e sofrimentos; sua vida e sua morte; seus méritos e sua glória; tudo nEle está empregado em amar-nos.
Mas, sobretudo, emprega em amar-nos seu Sagrado Coração, como o declarou a muitos Santos, em particular à Santa Brígida, cujas revelações gozam de grande crédito na Igreja, dizendo-lhe que na cruz aquele Coração adorável se abriu sobre a pressão da dor e do amor. “Meu Coração, disse-lhe Jesus, estava sumido em um oceano de sofrimentos. Vi minha Mãe e aqueles a quem eu amava sob o peso da aflição: meu coração se partiu sob a violência e o esforço de dor, e então foi quando minha alma se separou de meu corpo”.
Grande Deus! E por mim se cumpriram essas maravilhas; eu indigníssimo pecador, sou o objeto daquele excesso[5] de que falavam Moisés e Elias com Jesus glorificado no Tabor! Jesus me ama com o mesmo amor com que seu Pai lhe ama, amor infinito, eterno, universal, essencial!
Quando, pois, abrirei os olhos para não perder de vista o amor que meu Salvador tem por mim? Quando amarei com todo meu coração a este bom Jesus, que se digna amar-me tanto, e que para estar ainda mais seguro de obter meu coração, promete-me uma eternidade bem-aventurada, se consinto em devolver-lhe amor por amor? E como se isto não bastasse, ameaça-me com o fogo eterno do inferno se recuso a amá-lo.
Oh Jesus! A partir de hoje quero mais amar-vos como Vós me amais: totalmente, sem restrições, com todas as forças, com todo o meu coração. Tende piedade de minha fraqueza, que me faz desfalecer tão amiúdo neste meu querer, não obstante ser muito sincero.
Ajudai-me Vós, Virgem Santíssima, a ser e seguir constante, eternamente fiel a vosso divino Filho.
Notas
[1] Joan. XIII, 34; XV, 9,12.
[2] I Joan. XV.
[3] Charitas Dei difusa est in cordibus nostris per Spiritum Sanctum qui datus est nobis. (Rom. V, 5.)
[4] Coelum et terra, et omnia quae in eis sunt, non cessant mihi dicere ut amem Deum.
[5] Moyses et Elias… dicebant excessum ejus, quem complectururs erat in Jerusalem. (Luc. IX, 31.)
(*) Monsenhor de Ségur. El Sagrado Corazon de Jesus. pp. 112-117. Casa Editorial de Manuel Galindo y Bezares. 1888.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

[Sermão] O culto excelente ao Sagrado Coração de Jesus

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus, bem compreendida e bem praticada, é arma necessária para os nossos tempos, caros católicos





Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Aviso para as famílias sobre a Entronização do Sagrado Coração de Jesus nos lares:
Palavras do Santo Padre, o Papa Pio XII: “Não há dúvida de que, se queremos encontrar uma solução durável para a crise atual, será preciso reconstruir a sociedade sobre fundamentos menos frágeis, quer dizer, será preciso reconstruir a sociedade sobre fundamentos mais conformes à fonte primeira de toda civilização, que é a moral de Cristo. É igualmente certo que para fazer isso será preciso, antes de tudo, recristianizar as famílias. Aqueles que querem expulsar Deus da sociedade e jogá-la na desordem se esforçam de tirar da família o respeito devido às leis de Deus, exaltando o divórcio e a união livre, colocando diversos entraves à tarefa providencial dos pais para com os filhos, inspirando aos esposos o medo das fadigas materiais e o medo das responsabilidades morais que advém de uma família numerosa. É contra tais perigos que nós recomendamos que consagrem a família de vocês ao Sagrado Coração de Jesus.”

Sermão
São João, no prólogo de se Evangelho, nos diz que no princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus e que Deus era o Verbo. Nós poderíamos dizer igualmente que no princípio era a Caridade e que a Caridade estava em Deus e que Deus era a Caridade. De fato, em sua epístola, São João diz: Deus caritas est. Deus é caridade.
A caridade de Deus se exprime de modo perfeito no Sagrado Coração de Jesus. O Sagrado Coração de Jesus é o símbolo e a imagem da caridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, homem e Deus. Como estamos iniciando o mês de junho, caros católicos, mês dedicado ao Sagrado Coração, convém tratar dele, isto é, do Sagrado Coração e da devoção a Ele.
Consideremos, primeiramente, a dupla caridade que se encontra no Sagrado Coração de Jesus. A caridade primeira e que domina o Sagrado Coração de Jesus é a caridade para com Deus, é o amor a Deus. Nem poderia ser diferente. A caridade tem uma ordem e ela começa por Deus. O Sagrado Coração de Jesus é, então, de uma caridade infinita para com Deus. Caridade que se manifesta claramente no Evangelho, quando Nosso Senhor diz que veio fazer unicamente a vontade do Pai e não a sua própria. Mesmo em sua agonia mortal no Jardim das Oliveiras, o Salvador deixa claro o amor que está presente em seu Sacratíssimo Coração: que se faça a vontade do Pai e não a sua própria.
A caridade perfeita no coração de Nosso Senhor Jesus Cristo se exprime precisamente na conformidade com a vontade de Deus. E mais do que em uma conformidade, podemos falar de verdadeira uniformidade. Amar a Deus é fazer a vontade dEle em todas as coisas, amar a Deus é fazer a nossa vontade conforme ou mesmo uniforme com a vontade de Deus. Assim era o Sagrado Coração de Jesus: perfeitamente uniforme com a vontade divina. No Sagrado Coração de Jesus, na sua inteligência, na sua vontade, em seus sentimentos, não havia nada, absolutamente nada, que destoasse, ainda que minimamente, da vontade perfeita de Deus. É esse amor a Deus, essa uniformidade plena com a vontade do Pai que faz do Coração de Jesus o abismo de todas as virtudes, como rezamos na sublime ladainha do Sagrado Coração de Jesus. A uniformidade com a vontade de Deus é a fonte de perfeição de todas as outras virtudes. Portanto, a primeira coisa que devemos considerar no Sagrado Coração de Jesus é a sua caridade para com Deus, a uniformidade com a vontade de Deus. Uniformidade que se mostra de modo ainda mais claro e perfeito nas tribulações, nas perseguições, nos sofrimentos, nas humilhações, nas calúnias. É na sua Paixão e morte sobre a cruz que a caridade de Cristo para com Deus se manifesta de modo absolutamente claro.
A outra caridade presente no Sagrado Coração de Jesus é a caridade para com os homens, é a caridade para conosco, pobres pecadores. O Sagrado Coração de Jesus é a imagem de todo o bem que Deus quer para nós, de todo o bem que já fez por nós e de todo o bem que continua a nos fazer. Esse amor do Sagrado Coração de Jesus pelos homens decorre de seu amor a Deus. Ele nos ama porque ama a Deus. Ele nos ama buscando o nosso bem supremo, que é a nossa salvação. Devemos parar, caros católicos, e pensar realmente em tudo aquilo que Deus fez por nós: primeiramente, a criação. Ele poderia simplesmente não ter criado nada. Mas criou. Criou Adão e Eva, nossos primeiros pais. Tendo eles se revoltado contra Deus com o pecado original, prometeu-lhes o Salvador. Governou toda a história antiga da humanidade preparando os homens para a vinda do Salvador, em particular formando para si um povo, o povo judeu, e mantendo nesse povo a verdadeira fé, a verdadeira doutrina sobre Deus, apesar das muitas infidelidades do povo eleito. Eis que o Verbo vem, então, ao mundo, faz-se homem. Nasce em Belém, de uma jovem virgem. Vem ao mundo para sofrer, para nos ensinar a verdade, para morrer por nós e nos salvar. Funda a Igreja Católica, institui os sacramentos, em particular a eucaristia e a confissão, institui a Santa Missa. Quantos tesouros NSJC nos dá! Seu Coração se inclina somente a isso: à glória de Deus e à nossa salvação. Devemos parar e pensar também em nossas vidas e ver todo o bem que Deus nos fez e continua a fazer. Mas é preciso ver esse bem não somente nas facilidades, nas alegrias e na prosperidade. É preciso ver o bem que Deus nos faz e quer nos fazer também nas tribulações, nos sofrimentos, nas injustiças que padecemos. Enfim, é preciso ver também o amor do Sagrado Coração de Jesus nas cruzes. Devemos ver o amor do Sagrado Coração de Jesus na cruz que Ele, na sua sabedoria e bondade, esculpiu para que nós carregássemos. Devemos, então, ver o amor de Deus também nas cruzes, caros católicos, em que Ele deseja tão ardentemente que nos unamos aos seus sofrimentos, que completemos em nós a sua paixão, que expiemos os nossos pecados, que avancemos no amor a Ele e em todas as virtudes.
O Sagrado Coração deve ser por nós profundamente venerado. Devemos procurar imitar o Sagrado Coração de Jesus no seu amor para com Deus. Devemos buscar a uniformidade com a vontade de Deus em todas as coisas. Principalmente, nas cruzes, que são um tesouro de santidade e de virtudes. Devemos buscar imitar o Sagrado Coração em seu amor pelos homens. Devemos desejar ardentemente a salvação do nosso próximo e agir para isso. Devemos considerar o amor infinito do Sagrado Coração de Jesus para conosco a fim de responder com amor completo. Devemos considerar o amor do Sagrado Coração de Jesus para conosco e nos decidir a amá-lo inteiramente, de uma vez por todas, com decisão firmíssima, abandonando os nossos pecados mortais, combatendo vigorosamente também os veniais, corrigindo as nossas imperfeições, deixando de lado a tibieza, a mornidão digna de ser vomitada por Deus, a preguiça. Devemos deixar o espírito mundano, amaldiçoado por Nosso Senhor Jesus Cristo. Devemos nos decidir a fazer a vontade de Deus em todas as coisas com constância, com generosidade, sem respeitos humanos. Devemos fazer do nosso coração um espelho do Sagrado Coração de Jesus, repleto do amor a Deus, do amor pelo próximo e repleto de todas as virtudes. Devemos fazer do nosso coração o espelho do Sagrado Coração de Jesus, incendiado pelo fogo do amor divino, incendiado pelo fogo do amor à verdade, incendiado pelo fogo do amor ao bem.
Ao Sacratíssimo Coração de Jesus, caros católicos, devemos o culto de latria, quer dizer, de adoração. Devemos esse culto de adoração em virtude da união substancial que existe entre a humanidade de Cristo e o Verbo. O Coração de Jesus está unido substancialmente ao Verbo de Deus, como tão bem rezamos na Ladainha do Sagrado Coração de Jesus. Devemos adorar o Sagrado Coração de Jesus também por ser símbolo tão perfeito da caridade, para com Deus e para com os homens. O culto tributado ao Sagrado Coração de Jesus é o culto tributado ao amor divino e humano do Verbo Encarnado.
Devemos ter em alta conta, caros católicos, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Essa devoção é muitas vezes despojada de sua mais profunda eficácia porque se torna uma devoção muito sentimental ou muito naturalista. Ao contrário, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus não deve ser uma devoção meramente afetiva. Deve ser uma devoção efetiva, que nos leve a amar a Deus com toda a nossa mente, com todas as nossas forças, com todo o nosso ser. Reconhecer o amor divino e humano de Jesus Cristo por nós, cultuar esse amor de Jesus Cristo por nós é elemento básico e essencial de nossa santa religião. Sem isso, não pode haver cristianismo. Esse reconhecimento do amor do Verbo Encarnado por nós e esse culto do amor de Jesus Cristo por nós se faz de modo perfeito com o culto ao Sagrado Coração de Jesus. Recomendo a todos uma verdadeira e profunda devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Recomendo a devoção ao Sagrado Coração de Jesus aos homens, em particular, que às vezes tendem a achar que a devoção ao Sagrado Coração é para as mulheres e para os fracos. Espelhar o Coração de Jesus em nosso próprio coração exige grande força, grande virilidade. Colocar em nosso coração a uniformidade com a vontade de Deus, o amor pelos sofrimentos e contrariedade, colocar em nosso coração todas as virtudes, entre elas a mansidão e a humildade, exige, ao contrário, uma grande força, uma grande virilidade. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é a devoção daqueles violentos que querem arrebatar o reino dos céus pela força, pela força da caridade ardente, pela força de todas as virtudes.
A devoção ao Sagrado Coração de Jesus, bem compreendida e bem praticada, é arma necessária para os nossos tempos, caros católicos. É o que dizia e repetia com frequência o Papa Pio XII. Em sua excelente Encíclica sobre o Sagrado Coração,Haurietis Aquas, ele diz: “À vista de tantos males que, hoje como nunca, transtornam profundamente os indivíduos, as famílias, as nações e o mundo inteiro, onde acharmos, veneráveis irmãos, um remédio eficaz? Poderemos encontrar alguma devoção que seja melhor que o culto augustíssimo do Coração de Jesus, podemos encontrar uma devoção que corresponda melhor à índole própria da fé católica, uma devoção que com mais eficácia satisfaça as necessidades atuais da Igreja e do gênero humano? Que devoção mais nobre, mais suave e mais salutar do que este culto que se dirige todo à própria caridade de Deus? Por último, que pode haver de mais eficaz do que a caridade de Cristo – que a devoção ao Sagrado Coração promove e fomenta cada dia mais – para estimular os cristãos a praticarem em sua vida a lei evangélica, sem a qual não é possível haver entre os homens paz verdadeira?” E diz também o Papa: “desejando ardentemente opor segura barreira às ímpias maquinações dos inimigos de Deus e da Igreja, como também fazer as famílias e as nações voltarem ao amor de Deus e do próximo, não duvidamos em propor a devoção ao Sagrado Coração de Jesus como escola eficacíssima de caridade divina; dessa caridade divina sobre a qual se há de construir o reino de Deus nas almas dos indivíduos, na sociedade doméstica e nas nações.”
A fim de que a devoção ao coração de Jesus possa dar frutos mais abundantes para o indivíduo, para a família e mesmo para toda a humanidade, é preciso unir a ela a devoção ao Coração Imaculado da Mãe de Deus, pois foi vontade de Deus que, na obra da redenção humana, a santíssima virgem Maria estivesse inseparavelmente unida a Jesus Cristo. E no Imaculado Coração de Maria temos o espelho perfeito do Sagrado Coração de Jesus. E, por isso, caros católicos, temos no altar o Sagrado Coração de Jesus e o Coração de Maria unidos. Por isso, sobre o altar, temos a imagem do Sagrado Coração de Jesus, no lado do Evangelho, com uma mão apontando o seu Sagrado Coração, para que consideremos a sua infinita caridade, e, com a outra mão estendida, chamando-nos a imitar o seu Sagrado Coração.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

terça-feira, 20 de junho de 2017

O Sagrado Coração e o Santíssimo Sacramento

Se tivéssemos uma fé mais viva, nós o veríamos presente no altar em meio ao sagrado peito de Jesus, e, então, quantas graças esta fé viva atrairia sobre nossas almas!


Mons. De Ségur (*) | Tradução Sensus fidei: O Sagrado Coração de Jesus reside entre nós na terra, enquanto, ao mesmo tempo, no céu. Inseparável da santíssima e adorabilíssima humanidade de Jesus Cristo, da qual é como o centro e a vida, este divino Coração, tão amante e tão amado, reside em cada uma de nossas igrejas sob os véus eucarísticos, como é de fé.
Frequentemente esquecemos a realidade desta viva presença de Nosso Senhor na terra. Em teoria todos nós cremos nela (do contrário, seríamos hereges), mas não todos na prática; e esta é talvez a causa principal dessa tibieza, dessas mil e mil faltas que somos os primeiros a lamentar. Não temos, ao menos na medida que seria necessário, o espírito de fé na presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia.
O mesmo sucede relativamente com o seu Sagrado Coração. Nós olhamos muitas vezes como uma espécie de abstração celestial, belíssima contemplada de longe, mas inacessível. Se tivéssemos uma fé mais viva, nós o veríamos presente no altar em meio ao sagrado peito de Jesus, e, então, quantas graças esta fé viva atrairia sobre nossas almas!
Do fundo de seu tabernáculo Jesus Cristo nos aguarda, chama-nos: como à beata Margarida Maria, mostra-nos e às vezes nos abre o seu Coração abrasado de amor: “Olhai, diz-nos, vede aqui o Coração que tanto tem amado os homens, e como reconhecimento pelo meu amor deles não recebo senão ingratidões, irreverências e ultrajes!” O altar é, com efeito, o trono do divino amor, como o tribunal da Penitência é o trono da divina misericórdia. Do alto deste o Coração de Jesus se entreabre para perdoar e purificar: do alto daquele dá-se substancialmente, abre-se para amar, para fortificar, para santificar.
No altar o sacerdote de Jesus tem em suas mãos consagradas o Corpo e o Coração do Filho de Deus, e no santo cálice contempla e bebe o mesmo Sangue que, vertendo do Sagrado Coração, vivificava a carne do Verbo humanado. E como a Eucaristia é por excelência o mistério de amor, pode-se dizer que o sacerdote católico é verdadeiramente o consagrante, o depositário e o dispensador do Sagrado Coração de Jesus.
Quando comunga na santa missa, recebe em seu interior este divino Coração e este Sangue adorável. Recebe-o, e também nós o recebemos quando comungamos, com todas as suas chamas, com todos os seus ardores. Foco vivíssimo do amor é a Comunhão onde se come e bebe o Amor eterno, Jesus Cristo, sua carne, seu Coração e seu Sangue gloriosos!
O que o amor de nosso Salvador faz no mistério da Eucaristia apresenta um tal cúmulo de prodígios, que em vez de falar deles, sente-se inclinado, por respeito, a calar e adorar. Tudo o que disto se pode dizer é nada.
São Bernardo chama a este grande sacramento “o amor dos amores, amor amorum.” Certamente, o amor, só o amor impulsiona Nosso Senhor a encerrar-se sob essa humilde aparência, despojado de todo esplendor, e morar assim nesta terra de misérias, de lodo e de impurezas, exposto a mil e mil ultrajes, e isso há dezenove séculos, e até o fim dos tempos, até o seu segundo advento.
O amor é o que obriga Jesus a viver entre nós para nos cobrir aos olhos de seu Pai celestial, como a galinha cobre e protege com suas asas os seus pintainhos. Ali, sobre o altar, seu divino coração, suprindo a fraqueza de sua Igreja militante, faz subir incessantemente ao céu adorações, louvores, ações de graças, súplicas e orações dignas da majestade divina. “Sempre vivo para interceder por nós”,[1] ama por nós e nos obtém graças. Abençoa-nos com incessantes bênçãos, segundo a bela expressão de São Pedro: “Deus enviou o seu Filho para vos abençoar”.[2]
O amor, sim, o amor lhe fez resumir no Santíssimo Sacramento todos os seus mistérios de misericórdia e ternura,[3] pois ali está, sob os véus eucarísticos, como Criador e Senhor eterno dos Anjos e dos homens, do céu e da terra, santificador de todos os escolhidos, Santo dos Santos, Cabeça e Soberano pontífice da Igreja, Rei dos Patriarcas e Profetas, Salvador e Redentor. Ali está com a graça do mistério da Encarnação, com seu amplo sacrifício de trinta e três anos, com todas as suas palavras e todos os seus milagres; ali com tudo o que operou na santa alma de sua Mãe, em sua Igreja e em todos os seus eleitos; ali, enfim, com todo o mundo da graça e todo o mundo da glória, de que é princípio, centro e vida. Que oceano de amor encerra a Eucaristia!
E todo este mistério dos mistérios, este Amor dos amores, não é, no fundo, outra coisa que o vosso Sagrado Coração, oh, dulcíssimo Jesus! E nós, ingratos, correspondemos a este prodígio de bondade esquecendo-O no silêncio de seus Tabernáculos, e mostrando-nos mais frios para com Ele, mais endurecidos, e mais insensíveis que o mármore dos altares!
Notas
[1] “Semper vivens ad interpellandum pro nobis”. (Hb. VII, 25.)
[2] “Deue suscitans Filium suum, misit eum benedicentem vobis”. (Act. III, 26.)
[3] “Memoriam fecit mirabilium suorum misericors et miserator Dominus; escam dedit timentibus se.” (P s. C X .)
(*) Monsenhor de Ségur. El Sagrado Corazon de Jesus. pp. 125-129. Casa Editorial de Manuel Galindo y Bezares. 1888.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

O mistério da Santíssima Trindade...



A importância do estudo para o católico




O Coração de Jesus é o foco vivo do amor universal

O Coração que no tempo palpitava na terra e que palpita eternamente no céu no sagrado peito de Jesus, é o foco adorável e adorado do amor de Deus e do amor das criaturas. Oh! Quanto devemos amá-Lo! Como devemos precipitar-nos e perder-nos amorosamente neste abismo de amor!




Mons. de Ségur (*) | Tradução Sensus fidei: Em 1670, o venerável Bispo de Evreux, ao aprovar para sua diocese o culto do Sagrado Coração e o Ofício composto a este efeito pelo Pe. Eudes, assim se expressava: “Sendo o Coração adorável de Jesus Cristo uma fornalha de amor a seu Pai e de caridade para conosco, sendo além disso a fonte de uma infinidade de graças sobre todo o gênero humano, todos os homens têm, especialmente os cristãos, estreitíssima obrigação de honrá-Lo, louvá-Lo e glorificá-Lo de todas as maneiras possíveis”.
No mesmo ano dizia o Bispo de Coutances: “Sendo o Coração adorável de nosso Redentor o objeto da dileção e complacência do Pai das misericórdias, e estando reciprocamente todo abrasado de santo amor para este Deus de consolação, como também está todo inflamado de caridade para conosco, ardendo todo de zelo por nossa salvação, todo pleno de misericórdia pelos pecadores, todo pleno de compaixão pelos miseráveis, e sendo o princípio de todas as glórias e felicidades do céu, de todas as graças e bênçãos da terra, e uma fonte inesgotável de toda sorte de favores para os que O honram; devem todos os cristãos esforçarem-se em tributar-Lhe todas as venerações e adorações possíveis”.
Nada mais certo do que esta doutrina.
O Espírito Santo é o próprio Amor: o Amor eterno, substancial e vivente. Portanto Ele repousa plenamente na alma santa de Jesus: é como a luz que está toda condensada no sol, e de onde se esparge pelo mundo. Mas não amando a alma do Filho de Deus senão por meio do Coração, à qual está unida, resulta que o Coração Sagrado de Jesus é o foco visível do amor divino em meio do mundo. “É, como disse São Bernardino de Sena, a fornalha ardentíssima da caridade que inflama e abrasa o universo”.[1] E o fogo desta fornalha é o Espírito Santo, é o Amor eterno.
O Espírito de amor repousa e vive no Coração de Jesus Cristo, como uma pomba em seu ninho. Arde com vivas chamas neste Coração inefável, do qual se derramam no coração de tudo o que é capaz de amar.
O Coração de Jesus é antes de tudo o foco do amor de Deus. Nosso Senhor ama seu Pai com amor absolutamente divino, posto que Ele é Deus assim como seu Pai, e ama a Deus com a alma e o Coração de um Deus. Todo este oceano sem fundo e sem limites de amor passa pelo Coração do Filho de Maria, e dali vai perder-se eternamente no seio do Pai. Como uma torrente irresistível, primeiro transborda e depois arrasta após si todas as criaturas, Anjos e homem, que querem amar a Deus. Todo o amor de Deus, que faz palpitar o Coração da Santíssima Virgem, o coração dos Serafins, Querubins, Arcanjos e Anjos; todo o amor que santificou os Patriarcas, Profetas, Santos e fiéis do Antigo Testamento; todo o amor dos Apóstolos, Mártires e fiéis da Lei da graça, todo este amor emana do Sagrado Coração de Jesus, como de uma fonte inesgotável, infinita. No mundo das almas o Coração de Jesus Cristo é o sol de amor de Deus.
Oh, Salvador meu! A Vós me entrego para unir-me ao amor eterno, imenso e infinito que tendes a vosso Pai. Oh, Pai adorável! Pela Encarnação, a graça e a Eucaristia haveis dado a vosso Filho muito amado; meu é, seu Sagrado Coração me pertence. Ofereço-Vos, pois, todo o amor eterno, imenso e infinito de vosso Filho Jesus, como um amor que é meu. E do mesmo modo que Jesus nos disse: “Amo-vos como meu Pai me ama”,[2] possa eu também dizer-Vos, oh meu divino Pai: “Amo-Vos como vosso Filho Vos ama”.
Oh! Que graça é ser membro de Jesus Cristo, e assim poder amar por seu Coração, amar com seu Coração!
O divino Coração de Jesus é igualmente a fonte do amor da Santíssima Virgem. Depois de seu Pai celestial, ninguém ama tanto Jesus como sua Mãe; ou melhor, como verdadeiro filho seu, a ama com o mesmo amor com que ama seu Pai, não lhes separando jamais em suas divinas ternuras. E aqui também é por seu Coração, por meio de seu Coração, como o Verbo encarnado ama a Santíssima Virgem, e comunica este filial amor a todos os corações que se lhe sujeitam. O amor que temos à Santíssima Virgem Maria, o amor com que a amaremos no céu por toda a eternidade, dimana, pois, como de sua origem, do Coração de Jesus.
E o mesmo sucede com todo amor puro e legítimo, no céu e na terra: provém da Fonte única, da Fonte viva do amor; do amantíssimo e adorabilíssimo Coração de nosso Salvador. Com demasiada frequência, ai!, abusamos deste tesouro e apartamos de seu verdadeiro objeto o amor que nos tem nosso Deus; mas, em si mesmo, este amor nem por isso deixa de ser um dom puríssimo, e profaná-lo é um verdadeiro sacrilégio.
Deste modo, o Coração que no tempo palpitava na terra e que palpita eternamente no céu no sagrado peito de Jesus, é o foco adorável e adorado do amor de Deus e do amor das criaturas. Oh! Quanto devemos amá-Lo! Como devemos precipitar-nos e perder-nos amorosamente neste abismo de amor!
Mas, Salvador meu, sou pobre e miserável, e não posso lançar, como conviria, meu coração sobre o vosso Coração. Fazei por mim, Jesus misericordioso, algo que haveis feito por alguns de vossos escolhidos; dignai-Vos receber meu débil coração, e abismá-lo, como o de vossa serva Margarida Maria, no vosso que está ardendo de amor. Abrasai-o, derretei-lhe o ferro de seu egoísmo natural, e não mo devolvais sem que esteja transformado em uma chama de amor, que, a partir de então, faça-me amar todas coisas como Vós e em Vós.
Notas:
[1] “Fornax ardentíssima charitatis, ad inflammandum et incenden lum orbem terrarum”. (Serm. de Passione Domini, part. II, tit. 1.).
[2] “Sicut dilexit me Pater, et ergo dilexi vos”. (Jo XV, 9).
(*) Monsenhor de Ségur. El Sagrado Corazon de Jesus. pp. 68-72. Casa Editorial de Manuel Galindo y Bezares. 1888.

domingo, 18 de junho de 2017

Escolho tudo! Não quero ser santa pela metade.

Um perfeito trecho dos escritos de Santa Teresinha para reflexão. As vezes não queremos seguir o caminho mais árduo sabendo que ele agrada mais a Deus, então fazemos tão pouco pelo salvador que tanto sofreu por nós. Meditemos esse trecho, e a partir dele vamos ter um firme propósito de não sermos mornos, fazer tudo o que está em nosso alcance pela nossa santificação. Almejar a perfeição é dever de todos! Não siga o caminho mais fácil, ele não te levará até o Senhor. 




"Um dia julgando-se muito crescida para brincar com bonecas, Leônia veio procurar-nos a nós duas com uma cesta cheia de vestidos e de lindos retalhos para fazer outros; por cima estava colocada sua boneca. - "Tomai lá, minhas irmãzinhas, diz-nos ela, escolhei, dou-vos tudo isto". Celina estendeu a mão e tomou um pacotinho de cordões que lhe agradava. Após um instante de reflexão, estendi a mão por minha vez e declarei: - 'Escolho tudo!' e apoderei-me da cesta sem outra formalidade. As testemunhas da cena acharam o caso muito justo, a própria Celina nem pensou em reclamar. (Aliás, brinquedos não lhe faltavam, seu padrinho cumulava-á de presentes e Luísa descobria meios de arrumar-lhe tudo quanto desejasse). 

Este pequeno episódio de minha infância é o apanhado de toda a minha vida. Mais tarde, quando se me tornou evidente o que era perfeição, compreendi que para se tornar santa era preciso SOFRER MUITO, ir sempre atrás do MAIS PERFEITO e esquecer-se a si mesmo. Compreendi que na perfeição havia muitos graus e que cada alma era livre no responder às solicitações de Nosso Senhor, no fazer muito ou pouco por Ele, numa palavra, no escolher entre os sacrifícios que exige. Então como nos dias de minha primeira infância, exclamei: "Meu Deus escolho tudo". Não quero ser santa pela metade. Não me faz medo sofrer por vós, a única coisa que me dá receio é a de ficar com minha vontade. Tomai-a vós, pois escolho tudo o que vós quiserdes!..."

Santa Teresinha do Menino Jesus - História de uma alma. (Grifos nossos). 

Fonte:

sábado, 17 de junho de 2017

Quinze minutos em companhia de Jesus Sacramentado




Meu filho, não é preciso saberes muito para muito me agradares, basta que me ames muito. Fala-me, pois, aqui, com singeleza, como falarias com o mais familiar de teus amigos, como falarias com tua mãe, como falarias com teu irmão.

Precisas de fazer em favor de alguém uma súplica qualquer?... Dize-me o seu nome, quer seja o de teus pais, quer de teus irmãos ou amigos; dize-me o que gostarias que Eu fizesse por eles... Pede muito, muito; não receie-se pedir-me, gosto muito dos corações generosos, que chegam a esquecer de certo modo as necessidades próprias para atenderem às alheias. Fala-me, assim, com simplicidade, com clareza dos pobres a quem quiseras consolar: dos doentes a quem vês padecer, dos transviados que almejas tornem ao bom caminho; dos amigos ausentes que desejarias ter outra vez perto de ti. Dize-me por todos uma palavra, ao menos; mas uma palavra de amigo, palavra de dedicação fervorosa. Lembra-te que prometi escutar a súplica que saísse do coração: e não sairá do coração o pedido que me fazeres pelas pessoas que teu coração mais especialmente ama?

E para ti não precisas de alguma graça? Faze-me se quiseres, uma lista de tuas necessidades e vem lê-la na minha presença.

Dize-me francamente que sentes orgulho, falsa delicadeza, amor à sensualidade e ao regalo; que és, talvez, egoísta, inconstante, negligente... e pede-me em seguida, que venha ajudar-te nos esforços, poucos ou muitos, que fazes para livrar-te de tais misérias.

Não te envergonhes, pobrezinho! No céu há tantos e tantos justos, tantos Santos de primeira ordem, que tiveram esses mesmos defeitos! Pediram com humildade, e ao pouco e pouco viram-se livre deles.

Também não receies pedir-me bens do corpo e de entendimento: saúde, memória, sucesso feliz em teus trabalhos, negócios ou estudos... Tudo isso posso dar-te, e o dou e desejo que me peças, enquanto se não opuser à tua santificação, senão que a favoreça e ajude.

Hoje mesmo o que precisa? Que poderia Eu fazer em teu favor? Se conhecesses os desejos que tenho de te favorecer!...

Tens entre mãos alguns projetos? Conta-me-os miudamente. Que te preocupa? De que desconfias? O que desejas? Que poderia Eu fazer por teus irmãos, por tuas irmãs, por teu amigo?? por teu superior, por teu pai, por tua mãe? que desejarias tu fazer por eles?

E por Mim, não sentes desejos da minha glória? Não gostarias de poder fazer bem a teus próximos, a teus amigos, a quem muito amas, e que vivem talvez esquecidos de Mim?Dize-me que é que hoje atrai particularmente a tua atenção, que é que mais vivamente almejas, com que meios contas consegui-lo. Dize-me se não te sucedeu bem, e Eu te direi a causa do mau sucesso. Não quererias interessar-me em teu favor?

Sou, meu filho, dono dos corações, e docemente os levo , sem prejuízo da sua liberdade, para onde me apraz.

Estás talvez triste ou de mau humor? Conta-me, conta-me, alma desconsolada, as tuas tristezas muito miudamente. Quem te feriu? Quem melindrou teu amor próprio? Quem te desprezou? Acerca-te do meu Coração, que tem bálsamo eficaz para as feridas do teu. Conta-me, e acabarás em breve por dizer-me, que à semelhança de Mim, perdoas tudo, esquece tudo, e em troca receberás a minha benfazeja bênção.

Temes, por ventura? Sentes em tua alma aquelas vãs melancolias, que embora sejam injustificadas não deixam de ser bem angustiosas? Lança-te nos braços d da minha Providência. Estou contigo, aqui, a teu lado me tens: vejo tudo, ouço tudo: nem um momento ficas desamparado.
Sentes desprezo da parte das pessoas, que antes te amavam, e vivem agora esquecidas e apartadas de ti, sem que lhes tenhas dado o menor motivo? Roga por esta tua necessidade; Eu farei que voltem a ti, se não servirem de obstáculo à tua santificação.

E não tens talvez alegria alguma a comunicar-me? Porque é que não me fazes partilhar dela, como bom amigo? Conta-me o que desde ontem desde a última visita que me fizeste, consolou e fez sorrir teu coração. Talvez tiveste agradáveis surpresas; acaso viste dissipados negros receios; talvez recebeste boas notícias, uma carta, mais um sinal de amor, venceste uma dificuldade, saíste de um perigo... Fui Eu que te procurei isso. Porque não me mostra por isso tua gratidão, e me dizes carinhosamente como um filho a seu pai: "Agradecido , meu Pai, muito agradecido". A gratidão atrai novos benefícios, porque ao benfeitor agrada ver-se correspondido.

Também não tens alguma promessa a fazer-me? Leio, bem o sabes, no fundo do teu coração; aos homens engana-se facilmente, a Deus não; fala-me, pois, com toda a lealdade. Tens firme resolução de não tornar a expor-te àquela ocasião de pecado? De privar-te daquele objeto, que fez mal à tua alma? De não ler aquele livro, que exaltou a tua imaginação? De não tratar mais com aquela pessoa, que turbou a paz do teu espírito?

Tornarás a ser brando, doce, amável e condescendente com aquele a quem, porque te melindrou, olhaste até agora como inimigo?

Agora, meu filho, volta às tuas ocupações, ao teu ofício, tua família, ao teu estudo... mas não te esqueças dos quinze minutos de agradável conversa, que tivemos, eu e tu, na solidão do santuário. Guarda, quanto puderes, silêncio, modéstia, recolhimento, resignação e caridade com o próximo. Ama a minha Mãe, que também é tua, a Santíssima Virgem...; e amanhã torna outra vez com o coração mais amoroso ainda, mais dedicado ao meu serviço; no meu acharás cada dia novo amor, novos benefícios, novas consolações.
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Manná do Christão, +- 1920 - pp. 163-169

Fonte:
http://romasempreeterna.blogspot.com.br

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Uma análise minuciosa de uma mulher usando calças

Em outros artigos já comentamos sobre como a calça masculiniza a mulher, e também a torna inconveniente, imprópria ao sexo feminino. Vamos ressaltar mais uma vez, como já foi dito em vários outros artigos o que o Cardeal Siri diz a respeito do uso de calças pelas mulheres. Apenas um dos problemas além da masculinização da mulher e da mudança de sua psicologia são os movimentos, atitudes e comportamentos inapropriados para uma dama, que acabamos por fazer devido à vestimenta que estamos usando. Assim o Cardeal diz:
“Desde que o ser humano existe, a roupa que uma pessoa usa modifica seus gestos, atitudes e o comportamento, a tal ponto que só pelo fato de se usar uma determinada roupa, o vestir chega a impor um estado de ânimo especial em seu interior”. (Cardeal Siri).
Essa visão nos relata também a bíblia: “A Veste do corpo, o riso dos dentes e o andar do homem, dão a conhecer o que ele é”. Eclesiástico XIX, 27

Essa mudança da psicologia vai muito além do que está escrito aqui neste artigo. É preciso aprofundar-no no assunto para entender como isso afeta e atinge a sociedade e a própria mulher que usa roupa de homem, entretanto apenas um dos problemas é o comportamento da mulher inapropriado para sua condição. A mulher é feminina, delicada, deve ser uma donzela. Essa delicadeza e feminilidade é algo bom e foi querido por Deus, por isso é preciso cultiva-la. O que não é possível fazer usando calças. 

Para quem ainda não compreendeu onde queremos chegar, vamos a uma análise prática da situação. É muito fácil olhar umas fotos de mulher usando calças em pé, e dizer "veja ela não tá imodesta", agora se essa mesma mulher estivesse em nossa frente, e não na tela do computador, a cena muda de figura. Porque nós não somos uma espécie de robô, imóvel, nós andamos, sentamos, nos abaixamos, pegamos objetos no chão, encostamos, levantamos etc. E tudo isso deve ser levado em conta para ver se uma roupa é de fato modesta. Esse é um dos grandes problemas dos falsos apostolados de modéstia, que levam as pessoas a uma pouca reflexão acerca do assunto. Portanto analisaremos dois importantes conceitos nas vestimentas abaixo: 

1 - A Modéstia;
2 - A Feminilidade.

Exemplos Práticos: Primeiro Look:


Vamos começar analisando fotos de mulheres usando calças folgadas, veja essa imagem abaixo: 

a) A calça é folgada; b) Ela usa um casaco comprido cobrindo o quadril. 
1 - Mesmo a calça sendo folgada, existe uma costura na região genital da mulher e nos glúteos que contornam a região e permitem que as partes impudicas da mulher fiquem a mostra com os movimentos do dia a dia, por exemplo, quando senta-se no chão. Imagina se tivesse um homem logo a frente dela a visão que teria embaixo das pernas. É modesta? Não! Quando ela senta, o casaco que era comprido perde totalmente seu efeito que era "cobrir o quadril" para que nada fique revelado. O mesmo se daria se ela fizesse qualquer posição diferente: sentar e cruzar as pernas, abaixar para pegar algo do chão, etc.

2 - Não é roupa de mulher. Está masculinizada. Portanto não constitui exemplo de modéstia.

Segundo Look:


a) Calça folgada; b) Blusa um pouco comprida, em pé a blusa cobriria o quadril.
1 - A folga da blusa fica totalmente inutilizada quando a mulher faz essa posição, e ficaria igualmente inutilizada se a mulher se abaixasse para pegar algo no chão, sentasse no chão, dentre outros movimentos. Veja a linha contornada exatamente na região genital da mulher, toda calça faz isso, mesmo sendo folgada! É modesta? Não! 

2 - O Look é feminino? Não! Está usando roupas adequadas ao sexo masculino. 

Terceiro Look:


Agora vamos analisar alguns movimentos que fazemos durante o dia, por exemplo: abaixar usando uma calça folgada, veja o que ocorre:

a) A calça é folgada; b) Existe uma blusa comprida cobrindo o quadril.

Quarto Look:


Os falsos apostolados de modéstia dizem que a mulher pode usar legging, mas usando uma blusa comprida por cima. (Elas dizem comprida, mas esse "comprida" se você for olhar os exemplos citados por elas, cobre só o cós da calça e olha lá!). Mas digamos que seja de fato algo que cobre o quadril, o mesmo ocorre com os exemplos acima. E é pior ainda, porque a legging é igual uma meia calça. Veja:

a) Blusa comprida; b) Se ela estivesse em pé pareceria um vestido curto;

Modéstia e Feminilidade 


Algumas pessoas irão dizer: "mas o mesmo ocorreria com alguns tipos de saias". É verdade! Qualquer saia acima dos joelhos revelaria até mais que uma calça, entretanto o que nosso apostolado de modéstia ensina é que devemos utilizar saias modestas, abaixo dos joelhos, e as regras nos orientam que tenha de 10 a 20 cm ao menos abaixo dos joelhos. Uma saia verdadeiramente modesta jamais revelaria nenhuma parte do corpo da mulher nos movimentos do dia a dia. Por isso a importância de seguir algumas regrinhas no vestuário, que não foram tiradas da nossa mente, mas aconselhadas por alguns santos, sacerdotes, papas e cardeais. Na realidade esse argumento de que "saias curtas revelariam também" é o que os falsos apostolados de modéstia dizem, entretanto na nossa página não divulgamos saias curtas, já na delas sim! Veja que elas usam saias acima dos joelhos mostrando as coxas, e obviamente estas saias revelariam o corpo da mulher. Estão a criticar as próprias saias que elas vestem. Veja agora nos exemplos abaixo o tamanho da diferença quando usamos uma roupa de mulher, quando nos vestimos de forma adequada. Analise: 

Primeiro Look:

a) Saia modesta. b) Blusa modesta. c) Visual feminino.



a) Ela usa roupa de mulher, uma saia midi e com folga de tecido. Mesmo sentada e com uma perna levantada não revela nada do corpo da mulher. Sim! Visual aprovado! Está modesta!


b) Está feminina? Quer mesmo que eu responda se está? Óbvio que sim! Está feminina, bonita, elegante como deve ser uma verdadeira mulher católica.








Segundo Look: 


a) Seguidoras! Esses visuais estão tão fantásticos que eu acho que nem preciso comentar nada não é mesmo! Não é possível que uma pessoa honesta consigo mesma não consiga ver o tamanho da diferença nestas roupas para as primeiras acima. Veja essa lindíssima saia, bonita, com folga de tecido, modesta e feminina. Agora imagina se esta moça estivesse com uma Legging + blusa cobrindo o quadril exatamente nesta posição. Imaginou? A blusa "comprida" que geralmente são acima dos joelhos, fica completamente inutilizada com esta posição da moça na foto, devido às escadas e ela estar sentada mostraria totalmente suas regiões impudicas, o mesmo se daria com uma calça socada, destas incentivadas nos falsos apostolados de modéstia, e uma bermuda então? Preciso comentar? 




A Masculinização da mulher na sociedade de hoje, vamos comparar? 


Quando uma mulher usa calças, ela não fica precavida de certos movimentos. Por exemplo, quando estamos usando saias e vamos sentar, fazemos isso com certa delicadeza, cuidado, pernas fechadas, bem próximas, certo cuidado quando vamos levantar etc. E tudo isso é totalmente inutilizado quando se usa uma calça, a mulher muda tanto a sua maneira de pensar e de agir que nem se importa mais com isso, senta de qualquer maneira, fica co pernas abertas, levantadas (reparem isso nos falsos apostolados de modéstia, elas mesmas postam esse tipo de foto inapropriada). A postura da mulher muda, fica mais solta, desleixada, nada modesto! Por isso e outras razões (tão mais importantes que essa) o Cardeal Siri afirma que é um dos problemas no uso de calças pelas mulheres. Fizemos um quadro para comparação, veja:


FONTE: