domingo, 21 de janeiro de 2018

Jesus manso de Coração

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Jesus é a mesma Bondade e Sua mansidão é cativante e prende os corações. Os povos, falando dEle, diziam: "Vamos à suavidade".

1.º - Mansidão de Jesus na linguagem. Não Lhe agradam discussões ou contendas. Sua palavra é modesta, doce como Seu Coração. Jamais pronuncia uma palavra injuriosa, jamais Lhe saem dos lábios palavras orgulhosas. Calmo, bom, sincero, Jesus é sempre o Bom Mestre.

Imita a Jesus, ó minha alma, evitando cuidadosamente palavras vivas e impetuosas, prenúncios duma alma agitada. Não te permitas tampouco palavras de gracejo, palavras maliciosas, mortificantes, críticas ou arrogantes. Jesus é tão bom para ti. Deves sê-lo também para com os outros. Se queres que te tratem com bondade e doçura, saibas tratar teu próximo da mesma forma.

VALE UM MILHÃO!

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Aquele rapaz, ótimo congregado mariano, estava para ficar noivo. Por medida de prudência, depois de ter rezado e consultado os pais, foi aconselhar-se com o pároco. Querendo anotar as qualidades da moça, o padre tomou uma folha de papel e um lápis.
— Ela tem um dote apreciável, é rica — disse o rapaz.
0 vigário escreveu um 0 (zero).
— e é também muito bela.
Outro zero.
— Além disso, sabe piano e pintura.
Terceiro zero.
— Dá para boa dona de casa.
Quarto zero.
— A família dela é respeitável.
Quinto zero.
— Finalmente, possui diploma.
Sexto zero.
— Ah! senhor padre, esquecia-me de dizer que é excelente cristã.
Agora, colocando à esquerda daqueles zeros o algarismo 1 e mostrando o papel ao rapaz, disse:
— Vai, vai tranquilo e casa-te com ela, porque vale 1.000.000 (um milhão)!
Riquezas, dotes, nobreza, se faltar a religião, valem tanto como zero. Ser religiosa, eis a primeira e principal qualidade apreciável da mulher.

Retirado do livro o Tesouro de Exemplos. 

sábado, 20 de janeiro de 2018

Como o Divino Salvador nos amou na sua Encarnação

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O amor de Deus está sempre unido ao amor do próximo e nós amamos o próximo assim como amamos a Deus; por consequência, sendo infinito 


 amor de Jesus Cristo para com seu Pai em valor e mérito pela pessoa que o dá, o seu amor para com o próximo será também infinito. Eis as provas evidentes: Jesus Cristo, diz São Paulo, aniquilou-se para tomar a nossa humanidade e encher-nos da sua divindade, para elevar-nos à sua dignidade e dar-nos o divino titulo de filho de Deus; Ele, que habitava em si mesmo, querendo doravante habitar em nós; Ele, que tinha vivido desde toda eternidade no seio do Padre eterno, desejou tornar-se mortal no seio de sua Mãe temporal; e existindo sempre como Deus, quis tornar-se homem. 

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Alegria trazida ao mundo pelo nascimento de Jesus Cristo




Tire o maior proveito desta Meditação seguindo os passos

Evangelizo vobis gaudium magnum, quod erit omni populo: quia natus est vobis hodie Salvator – “Anuncio-vos um grande gozo, que será para todo o povo; e é que vos nasceu hoje o Salvador” (Lc 2, 10)
Sumário. Organizam-se grandes festejos num país, quando ao rei nasce seu filho primogênito. Quanto mais não devemos nós festejar o nascimento do Filho unigênito de Deus, que veio do céu para nos visitar. Talvez alguém deseje carregar o Menino Jesus nos braços; mas avivemos a nossa fé e lembremo-nos de que na santa comunhão recebemos, não somente em nossos braços, mas também dentro do nosso peito, o mesmo Jesus, que por nosso amor esteve deitado no presépio de Belém.
I. O nascimento de Jesus Cristo trouxe alegria geral ao mundo inteiro. É Ele o Redentor desejado durante tantos anos e com tamanho ardor, que por esta razão foi chamado o Desejado das gentes, o Desejado das colinas eternas. Eis que já veio, nascido numa gruta estreita. Façamos que o anjo nos anuncie o mesmo gozo que anunciou aos pastores, e que nos diga: Ecce enim evangelizo vobis gaudium magnum, quod erit omni populo: quia natus est vobis hodie Salvator — “Anuncio-vos um grande gozo, que será para todo o povo; e é que vos nasceu hoje o Salvador”. — Que festejos não se organizam num país, quando nasce ao rei seu filho primogênito! Muito mais devemos nós festejar o nascimento do Filho de Deus, que veio do céu para nos visitar, movido unicamente pelas entranhas da sua misericórdia: per víscera misericordiae Dei nostri, in quibus visitavit nos oriens ex alto (1).
Nós nos achávamos em estado de condenação, e eis que Jesus veio para nos salvar: Propter nostram salutem descendit de coelis — “Desceu dos céus para a nossa salvação”. Eis aí o Pastor, vindo para salvar da morte as suas ovelhas, dando a vida por amor delas. — Ego sum pastor bonus; bonus pastor animam suam dat pro ovibus suis (2) — “Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a própria vida pelas suas ovelhas”. Eis aí o Cordeiro de Deus que veio sacrificar-se para nos obter a graça divina e fazer-se nosso libertador, nossa vida, nossa luz, e nosso alimento no Santíssimo Sacramento. Diz Santo Agostinho que, entre outras razões, Jesus quis ser posto numa manjedoura, onde os animais acham o pasto, para nos dar a entender que se fez homem também para se tornar nosso alimento.
Jesus nasce, por assim dizer, nasce cada dia no Santíssimo Sacramento por meio da consagração feita pelo sacerdote. O altar é como que o presépio, onde nos alimentamos com a sua própria carne. Talvez alguém deseje trazer o Menino Jesus nos braços, assim como o trouxe o velho Simeão. Mas a fé nos ensina que na santa comunhão temos, não somente em nossos braços, senão dentro do nosso peito, o mesmo Jesus, que esteve no presépio de Belém. Nasceu precisamente a fim de se dar a nós: Parvulus natus est nobis, et filius datus est nobis (3) — “Nasceu-nos uma criança, e foi-nos dado um filho”.
II. Erravi sicut ovis quae periit: quaere servum tuum (4) — “Andei errando como uma ovelha que se desgarrou; busca o teu servo”. Senhor, eu sou a ovelha que por ir atrás das minhas satisfações e dos meus caprichos, desgarrei miseravelmente; mas Vós, ó Pastor e também Cordeiro divino, baixastes do céu para me salvar, sacrificando-Vos como vítima, sobre a Cruz, em satisfação dos meus pecados. Que devo, pois, temer, se resolvo emendar-me? Não devo confiar inteiramente em Vós, meu Salvador, que nascestes precisamente a fim de me salvar? Ecce Deus, Salvator meus, fiducialiter agam, et non timebo (5) — “Eis aqui está Deus, meu Salvador, resolutamente obrarei e nada temerei”. Para me inspirar confiança, que penhor mais seguro de misericórdia podereis dar-me, depois da vossa própria pessoa? Ó meu querido Menino Jesus, quanto me aflige a lembrança de Vos ter ofendido. Tenho-Vos feito chorar na gruta de Belém. Mas, se Vós me viestes buscar, eis que me prostro aos vossos pés,’ e apesar de Vos ver humilhado e aniquilado nessa manjedoura, deitado sobre a palha, reconheço-Vos como meu supremo Senhor e Rei.
Ouço que os vossos doces gemidos me convidam a amar-Vos e me pedem o coração. Ei-lo, ó meu Jesus, deposito-o a vossos pés; transformai-o e abrasai-o, Vós que viestes ao mundo a fim de abrasar os corações em vosso santo amor. Ouço que lá de dentro dessa manjedoura me dizeis: Diliges Dominum Deum tuum ex toto corde tuo (6) — “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração.” E eu Vos digo: Ah! Jesus meu, se não Vos amar a Vós, que sois meu Senhor e meu Deus, a quem amarei? Vós dizeis que sois meu, porque nascestes a fim de Vos dar todo a mim; e eu recusarei ser vosso? Não, meu amado Senhor, dou-me todo inteiro a Vós e amo-Vos de todo o meu coração. Amo-Vos, amo-Vos, amo-Vos, ó meu Bem supremo, ó amor único da minha alma. Por favor, aceitai-me neste dia, e não permitais que eu ainda deixe de Vos amar.
Ó Maria, minha Rainha, pela consolação que tivestes, quando pela primeira vez contemplastes o vosso Filho nascido, e lhe destes os primeiros abraços, rogai por mim para que vosso Filho me aceite como propriedade sua e me prenda para sempre a si pelos laços do seu santo amor.
Referências:
(1) Lc 1, 78
(2) Jo 10, 11
(3) Is 9, 6
(4) Sl 118, 176
(5) Is 12, 2
(6) Mt 22, 37

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 96-99)

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A ovelha perdida e o Pastor divino




3º Domingo depois de Pentecostes

Congratulamini mibi, quia inveni ovem meam, quae perierat – “Congratulai-vos comigo, porque achei a ovelha que se tinha perdido” (Lc 15, 6)
Sumário. No Evangelho de hoje, Jesus Cristo representa-nos a sua misericórdia para com os pecadores. Com efeito, nós éramos como que ovelhas desgarradas: cada um ia errando por seu caminho. O divino Pastor, porém, solicito por nós, desceu do céu à terra, para nos reconduzir ao aprisco. Oh! que festa houve então no paraíso! Mas a festa se torna em luto, cada vez que pecamos ou caímos novamente do fervor na tibieza. Como, pois, teremos a triste coragem de fazê-lo?
I. Refere-se no Evangelho de hoje que os Fariseus e os Escribas murmuravam de Jesus Cristo, porque se chegava aos publicanos e pecadores. Então o Senhor lhes propôs esta parábola: Qual de vós possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu até a encontrar? Achando-a põe-na aos ombros muito alegre e chegando à casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que se tinha perdido: Inveni ovem meam quae perierat.
Sob uma figura tão bela quis Jesus Cristo representar a sua própria pessoa e a sua misericórdia para com os pecadores. Todos nós éramos como que ovelhas desgarradas, cada um ia errando pelo seu caminho (1). Então Jesus, solicito por nossa salvação, desceu do céu à terra para nos reconduzir a seu aprisco e pôr-nos de novo no caminho que conduz à felicidade eterna. Pelo que São Pedro escreve: Eratis sicut oves errantes (2). – Vós éreis como ovelhas desgarradas; mas agora estais reconduzidos ao Pastor e Bispo de vossas almas.
Ah, meu divino Pastor Jesus! Eu também fui uma daquelas ovelhas perdidas, mas Vós me viestes buscar até me achar, como tenho a confiança. Vós me achastes e eu Vos achei. – Mas, ó Senhor, porque é que convidais vossos amigos, quer dizer, os anjos e os santos, a alegrarem-se convosco? Parece que antes lhes devíeis dizer que se alegrem com a ovelha, por Vos haver achado, seu Deus e seu tudo. É, pois, tão grande o amor que tendes à minha alma, que Vos sentis feliz por a terdes achado! E depois disso, como poderei tornar a Vos deixar, ó meu amado Senhor?
II. Dico vobis, quod ita gaudium erit in coelo. Considera como Jesus conclui a sua parábola: “Assim também vos digo, haverá mais alegria no céu por um só pecador que faz penitência do que por noventa e nove justos que não precisam de penitência”. São Gregório nos explica a razão disso, dizendo: “É mais agradável a Deus uma vida fervorosa depois do pecado, do que a vida inocente mas arrefecida pela segurança”. A alegria, porém, do paraíso converte-se em luto, quando uma ovelha, procurada com tamanha solicitude e reconduzida com tanto amor ao aprisco do divino Pastor, de novo se desvia, pela recaída no pecado mortal, ou no hábito das faltas veniais deliberadas. Diz São Francisco de Sales, que os anjos, se pudessem chorar, chorariam de compaixão ao verem tão grande miséria. E São Bernardo acrescenta: Pecccatum, quantum in se est, Deum perimit – “O pecado, pela sua natureza, causa a morte de Deus”. Como se dissesse: Se Jesus Cristo pudesse morrer, um só pecado mortal bastaria para fazê-lo morrer de pura tristeza.
Ah, meu dulcíssimo Redentor! É assim que eu também Vos tenho tratado cada vez que desprezei a vossa graça. – Oh não! Ter eu antes morrido mil vezes do que ofender-Vos, ó bondade infinita! Mas já que me viestes procurar e me achastes, uni-me a Vós, prendei-me com os felizes laços do vosso santo amor, afim de que Vos ame sempre e não mais me afaste de Vós. Se desejais vingar-Vos das amarguras que Vos causei, vingai-Vos, eu vo-lo peço, não já expulsando-me da vossa presença, mas concedendo-me uma dor tão viva, que me faça chorar por toda a minha vida.
Ó meu Jesus, amo-Vos de todo o coração e sabei que não quero mais viver sem o vosso amor; socorrei-me com o vosso auxílio. – “Ó Deus, protetor dos que em Vós esperam, e sem o qual nada há firme nem santo, multiplicai sobre nós a vossa misericórdia, para que, por Vós dirigidos e guiados, passemos de tal modo pelos bens terrenos, que não percamos os eternos. Fazei-o pelo amor de Jesus Cristo” (3). † Doce Coração de Maria, sede minha salvação.
Referências:
(1) Is 53, 6
(2) 1 Pd 2, 25
(3) Or. Dom.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 178-180

Fonte:

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Catecismo Ilustrado - Parte 35 - 3º Mandamento de Deus: Santificar os Domingos e Festas de preceito


3º Mandamento de Deus: Santificar os Domingos e Festas de preceito

1. Neste mandamento Deus ordena não fazer trabalhos servis ao domingo, e prestar nesse dia especial culto a Deus.

2. Por trabalhos servis entendemos os trabalhos corporais próprios de servos, oficiais operários e trabalhadores contratados.

3. Porém são permitidos ao domingo: 1º aqueles trabalhos que são necessários à vida humana; 2º os que são consagradas ao serviço de Deus; 3º os que se fazem por necessidade grave, com licença dos superiores eclesiásticos, podendo ser; 4º obras de misericórdia.

4. Para guardar os domingos não basta não trabalhar, porque Deus proíbe-nos trabalhar para podermos consagrar-nos ao Seu serviço.

5. Devemos santificar os domingos e festas ouvindo Missa inteira, como manda a Santa Igreja. Ainda que a Igreja não nos obrigue outras coisas, contudo ensina-nos e recomenda-nos que nos exercitemos em obras de religião e de piedade.

6. Essas obras são visitar a igreja, ouvir os sermões, principalmente sendo o pároco, assistir às catequeses, e praticar para com o próximo as obras de misericórdia.

7. A palavra “domingo” significa dia do Senhor ou consagrado ao Senhor, porque o devemos empregar em dar honra a Deus e servi-Lo.

8. Na lei antiga, o dia consagrado ao Senhor era o sábado, palavra que significa dia de descanso, porque neste dia Deus descansou, tendo nos outros seis criado as criaturas que compõem o universo.

9. Não guardamos nós o sábado, mas sim o domingo, pela autoridade dos Apóstolos que assim o mandaram, e fizeram isso em memória da Ressurreição do Senhor que foi ao domingo, e da vinda do Espírito Santo que foi também ao domingo. Neste dia de nos representa pois a Santíssima Trindade em três mistérios: o Pai, na Criação; o Filho, na Redenção; o Espírito Santo, na santificação.

10. Além do domingo, estabeleceu a Igreja outros dias de preceito ou dias santificados: 1º para solenizar alguns mistérios da nossa Religião que não estão ligados ao domingo, como o dia do Natal, a Ascensão do Senhor etc: 2º para louvarmos a bondade e poder de Deus, na vitória dos santos; 3º para lhes tributarmos as verdadeiras honras e louvores; 4º para nos exercitarmos a imitar as suas virtudes.

11. Peca-se contra o terceiro mandamento: 1º trabalhando tempo considerável sem grande necessidade; 2º faltando à Missa sem causa; 3º passando todo o dia em danças, jogos e divertimentos profanos, ou numa total ociosidade.

12. Quem trabalha ao domingo por necessidade grave ou por fazer certas obras de caridade, não tem por isso licença de faltar à Missa.

13. Não é proibido recrear-se ao domingo, com a condição que seja de um modo honesto e moderado; mas devem evitar-se com muito cuidado aqueles divertimentos desonestos e perigosos que são, principalmente para a juventude, origem de grandes males e pecados.

14. Os que obrigam a trabalhar aos domingos pecam como se eles mesmos trabalhassem, e além disso ficam responsáveis pelo pecado que se comete.

15. Pecam mortalmente os pai ou patrões que proíbem aos filhos, criados ou operários a santificação do domingo, ou põem obstáculos a essa santificação.

Explicação da gravura


16. Vê-se nesta gravura o contraste evidente entre os que santificam o domingo e aqueles que o profanam. Os primeiros, deixando os seus trabalhos, dirigem-se ao templo para ouvir a santa Missa. Os segundos passam o dia nas tabernas, escarnecendo dos que se dirigem à Igreja. Vê-se na parte inferior uma oficina onde os operários trabalham, desprezando assim o preceito de Deus e dando escândalo ao próximo.




segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Para se santificar a alma deve dar-se toda e sem reserva a Deus

Dilectus meus mihi, et ego illi – “Meu amado é para mim, e eu para ele” (Ct 2, 16)
Sumário. Certas almas são chamadas por Deus a uma alta perfeição; mas porque elas não lhe dão o coração todo e conservam afeição às coisas da terra, não se fazem, nem se farão jamais santas. Mais, correm grande risco de se perderem eternamente. Deves, pois, meu Irmão, desapegar-te de todas as criaturas e dar-te todo a Deus, sem reserva. Para alcançarmos um fim tão sublime, roguemos sempre ao Senhor que nos abrase com seu santo amor, porque este consumirá em nós todo o afeto menos puro.
I. Dizia São Filippe Neri que todo o amor consagrado às criaturas é roubado a Deus, porque, na palavra de São Jerônimo, o Salvador é cioso de nossos corações: Zelotypus est Jesus. Porque nos ama estremecidamente, quer reinar só em nosso coração e não admite êmulos que lhe roubem parte do amor que requer só para si. Desagrada-Lhe, portanto, ver em nós apego a qualquer afeto que não seja para Ele. – Exige nosso Salvador porventura, demais, depois que deu por nós todo o seu sangue e a vida, morrendo sobre uma cruz? Não merece, porventura, que O amemos com todo o nosso coração e sem reserva?
Afirma São João da Cruz que todo o apego às criaturas impede que sejamos inteiramente de Deus. “Quem”, pergunta o Salmista, “quem me dará asas como de pomba, e voarei e descansarei?” (1) Certas almas são chamadas por Deus para serem santas; mas porque elas usam de reserva e não dão a Deus todo o seu amor e conservam afeição às coisas da terra, não se fazem, nem se farão nunca santas. Querem voar para o alto, mas porque são retidas por algum apego, não voam, mas ficam sempre terrestres e se põem em grande risco da perdição eterna. – É, pois, preciso desligar-se de tudo, cada fio, diz o mesmo São João da Cruz, quer grosso quer fino, impede a alma de voar para Deus.
Certo dia Santa Gertrudes pediu ao Senhor lhe fizesse saber o que dela desejava. Respondeu-lhe o Senhor: “Não desejo senão um coração vazio.” É o que Davi pediu a Deus: Cor mundum crea in me Deus (2) – “Cria em mim, ó Deus, um coração puro”. Um coração puro ou vazio, quer dizer um coração livre de todo afeto ao mundo. – Totum pro toto, escreveu Thomas Kempis. Devemos sacrificar tudo para ganhar tudo. Para que Deus seja todo nosso, devemos deixar tudo que não é Deus. Então a alma poderá com verdade dizer a Deus: Meu Jesus, renunciei a tudo por vosso amor, dai-Vos agora todo a mim.
II. Afim de que cheguemos a ser inteiramente e sem reserva do Senhor, devemos rogar incessantemente a Deus que nos encha de seu santo amor. O amor é um fogo destruidor que consome em nossos corações todos os afetos que não sejam para Deus. Dizia São Francisco de Sales, que quando a casa está em chamas, atira-se toda a mobília pelas janelas afora. Com isso o santo quis dizer que, quando um coração está ardendo do amor divino que dele tomou posse, a pessoa não precisa mais de sermões e diretores para desprendê-la do mundo; o amor divino mesmo consumirá todo o afeto impuro.
Nos sagrados Cânticos, o amor santo é representado sob a figura de uma adega: Introduxit me rex in cellam vinariam, ordinavit in me caritatem (3) – “O rei me fez entrar em sua adega, ordenou em mim a caridade”. Nesta feliz adega, as almas, esposas de Jesus Cristo, inebriadas pelo vinho do santo amor, perdem os sentidos para as coisas do mundo e não olham senão para Deus, em todas as coisas não buscam senão Deus, não falam, nem querem ouvir falar senão em Deus. Quando porventura ouvem os outros falar em riquezas, dignidades, divertimentos, voltam-se para Deus e dizem-lhe com suspiro ardente: Deus meus et omnia – “Meu Deus e meu tudo”. Meu Deus, qual mundo! Qual prazeres! Qual dignidades! Vós sois todo o meu Bem, toda a minha felicidade.
Ó meu Jesus, meu amor, meu tudo, como Vos posso ver morto num patíbulo infame, desprezado de todos, consumido pelos sofrimentos e andar à procura de prazeres e glórias terrestres? Quero ser todo vosso. Esquecei os desgostos que Vos causei e aceitai-me. Fazei-me saber aquilo de que me devo desapegar e o que devo fazer para Vos agradar, pois estou disposto a fazê-lo. Dai-me a força para o executar e Vos ser fiel. Meu amado Redentor, quereis que me entregue sem reserva a Vós, para me unir todo a vosso Coração. Hoje mesmo me dou todo a Vós, todo sem reserva, todo, todo; de Vós espero a graça de Vos ser fiel até à morte. – Ó Maria, Mãe de Deus e minha Mãe, obtende-me a santa perseverança.
Referências:
(1) Sl 54, 7

(2) Sl 50, 12
(3) Ct 2, 4

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 186-188)

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

A pesca milagrosa e o ministério apostólico



Noli timere: ex hoc iam homines eris capiens – “Não temas; já desde agora serás pescador de homens” (Lc 5, 10)
Sumário. Sob a figura da pesca milagrosa, é representada a pregação do Evangelho, pela qual o Senhor converte e santifica as almas por ele remidas. Os pescadores, porém, não são somente os pregadores, senão também todos os bons cristãos, que de qualquer modo se aplicam à salvação das almas. Seja, portanto, qual for o nosso estado, podemos exercer o ministério apostólico, ao menos pela oração e pelo bom exemplo. Roguemos sobretudo ao Senhor que envie à sua igreja operários zelosos: Mitte operarios in messem tuam.
I. Refere São Lucas que, estando Jesus nas margens do lago de Genesaré e vendo que as turbas vinham em tropel sobre Ele, entrou na barca de Simão, rogou-lhe que a afastasse um pouco da terra e começou a pregar de dentro da barca. Tanto que cessou de falar, ordenou a Simão que se fizesse ao largo e deitasse as redes para a pesca.
Mestre“, respondeu-lhe Simão, “trabalhando toda noite nenhuma coisa apanhamos; porém sobre a tua palavra deitarei a rede“. E tendo feito isto, apanhara tão grande quantidade de peixes que encheram duas barcas. E São Pedro, vendo isto, lançou-se aos pés do Redentor dizendo: “Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador“. E Jesus disse: “Não temas; Já desde agora serás pescador de homens“: Ex hoc iam homines eris capiens.
Explica Santo Ambrósio, e está mesmo claro no Evangelho, que sob a figura das redes e da pesca milagrosa são representadas “as palavras da verdade, que são, por assim dizer, a textura das pregações evangélicas“. Os pescadores são todos os pregadores e especialmente os missionários de que o Senhor se serve para a conversão de populações inteiras e santificação de milhares de almas.
Meu irmão, se tu também és um desses instrumentos escolhidos para promover a glória divina, dá graças ao Senhor; e em deitando as tuas redes, imita a São Pedro, reconhece a própria incapacidade e confia no auxílio de Deus…. “Vê”, diz o mesmo Santo Ambrósio, “quanto é vã e infrutuosa a confiança temerária nas próprias forças e quão eficaz é, ao contrário, a humildade. Os que primeiro tinham trabalhado em vão, depois, sobre a palavra de Jesus Cristo, encheram suas redes de peixes“.
Se o Senhor não te chamou ao ministério apostólico, aproveita-te ao menos da palavra de Deus pregada pelos sacerdotes: estima e reverencia a sua alta dignidade e pede a Jesus Cristo queira aumentar em sua Igreja o número dos ministros zelosos: Mittati operarios in messem suam. (1)
II. Posto que os pescadores de almas sejam principalmente os pregadores e os missionários, não o são, porém, estes só. São-no igualmente todos os bons cristãos, que de qualquer modo promovem o bem espiritual do próximo. Seja qual for o teu estado, podes fazer-te pescador de almas. Podes sê-lo, ajudando teus irmãos com exortações, com conselhos, com o bom exemplo e mais ainda com a oração feita por eles. Quem trata com os próprios pecadores sobre a sua conversão, trabalha às vezes em vão; mas quem trata da conversão dos pecadores com Deus, alcança-a sempre, contanto que o faça assim como se deve. Oh! quantas almas se convertem, não tanto pela pregação dos sacerdotes, como pelas orações dos justos – Figura-te, pois, que Jesus Cristo te diz o que disse a São Pedro: “Faze-te ao largo e deita as tuas redes para a pesca“.
Ó Salvador do mundo, ó Cordeiro divino, Vós que à força de dores perdestes a vida sobre a cruz para salvação de todos os homens, por piedade, tende compaixão de nós, e socorrei-nos no meio de tantos perigos de perdição eterna. Ó céus! De todos os que professam a verdadeira fé, quantos estão vivendo como se não cressem, como se não tivessem de morrer um dia e de dar contas de toda a vida perante o tribunal divino. Mas Vós, ó Jesus, que sabeis tirar o bem do mal, mostrai o vosso poder, não nos castigando conforme merecemos, mas subjugando as nossas vontades rebeldes. Aumentai o zelo dos vossos ministros, mandai-lhes, como outrora a São Pedro, que deitem em toda a parte a rede da palavra divina, e, abençoando-lhes o trabalho, fazei com que tenham uma pesca milagrosa de almas, resgatadas pelo vosso preciosíssimo sangue.
“Concedei-nos, ó Senhor, que os sucessos do mundo por vossa ordem corram para nós em paz e que a vossa Igreja se alegre com a tranquila devoção de seus filhos” (2). – Fazei-o pelos méritos da vossa Paixão, e pelo amor da vossa querida Mãe, Maria.
Referências:
(1) Mt 9, 38
(2) Or. Dom. Curr.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 196-198)

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

A Verdade sobre o Luteranismo ... e a Razão Por Que um Católico

Nossa Senhora de La Salette Chora a Perda da Fé




-Por que razão iria um Católico celebrar Martinho Lutero, quando toda a sua rebelião se baseia da no ódio à Fé Católica?

Lutero Ataca o Papado
Um ponto central da sublevação de Lutero em 1517 foi um ataque em grande escala contra o Papado estabelecido por Cristo. Lutero não se opôs contra a política deste ou daquele Papa — que seria algo que até muitos santos fizeram. Em vez disso, Lutero delirava contra a instituição da Santa Sé no seu livro Contra o Papado Romano: Uma Instituição do Demónio.
Ele também denunciou o Papado quando o Papa Leão X lhe condenou a doutrina, na sua Bula Exurge Domine, de 1520. Lutero respondeu assim:
“-Digo e mantenho que o autor desta Bula é o Anticristo: Eu amaldiçoo-a por ser uma blasfémia contra o Filho de Deus…Tenho confiança em que todas as pessoas que aceitarem esta Bula sofrerão as penas do Inferno… Onde estais vós, imperadores, reis e príncipes da terra que tolerais a voz infernal do Anticristo? A vós, Leão X, e a vós, Cardeais Romanos, eu vos digo na cara: -Renunciai à vossa blasfémia satânica contra Jesus Cristo!”1
Então, Lutero queimou a Bula pontifícia, gabando-se disso logo no dia seguinte:
“-Queimei ontem a obra demoníaca do Papa, e oxalá tivesse sido o Papa, ou seja, que tivesse sido a Sé Pontifícia que se tivesse consumido pelas chamas. Se não vos separardes de Roma, não há salvação para as vossas almas.”2
Lutero Ataca a Santa Missa
Contra o Santo Sacrifício da Missa, a oração mais sagrada da Igreja, Lutero derramou sobre ela o seu vulgar desprezo.
Dizia ele que nenhum pecado de imoralidade, nem mesmo “o homicídio involuntário, o roubo, o assassinato ou o adultério é mais prejudicial do que esta abominação da Missa Papista.”  Rosnava além disso que antes queria ter sido “dono de um bordel ou ladrão, do que ter blasfemado e difamado a Cristo durante 15 anos, pelo facto de ter celebrado a Missa.”3
No seu opúsculo A Abrogação da Missa, que tinha por fim destruir a Missa, Lutero escreveu:
“-Estou plenamente convencido de que, com estes três argumentos [que antes invocara], todas as consciências piedosas se persuadirão de que este padre de Missa e o Papado não passam de obras de Satanás, e ficarão suficientemente advertidas contra a ideia de que, com estes sacerdotes, se faria alguma coisa piedosa ou boa. Agora todos ficarão a saber que está demonstrado que estas Missas sacrificiais são injuriosas para com o Testamento de Nosso Senhor; por isso, nada no Mundo inteiro deve ser tão odiado e detestado como os espetáculos hipócritas deste sacerdócio, as suas Missas e o seu culto, piedade e religião. Seria melhor ser conhecido publicamente como proxeneta ou ladrão do que ser um destes sacerdotes.”4  
O grande São João Fisher, que viveu no tempo de Lutero, expressou o seu horror perante a impiedade deste:  “-Meu Deus!” — escrevia ele — “Como é possível ficar tranquilo quando se ouvem tais mentiras blasfemas contra os mistérios de Cristo?  Como é possível ouvir sem ressentimento estes insultos ultrajantes arremessados contra os sacerdotes de Deus?  Quem poderá ler tais blasfémias sem chorar com profunda dor, se conservar no seu coração uma fagulha sequer, por mais pequenina que seja, de piedade cristã?”5
A Perversão das Sagradas Escrituras
Um princípio basilar da rebelião de Lutero é ter “Somente a Bíblia” como única base da nossa crença.  No sistema de Lutero, não há uma Igreja fundada pela Autoridade Divina para ensinar em Nome de Cristo; há simplesmente a Bíblia como a única fonte da Revelação Divina. Lutero ensinou isso, apesar de o princípio “Só a Bíblia” não existir em lugar nenhum da Bíblia – estando ele assim, paradoxalmente, a promover um princípio que não é bíblico!...
Ao mesmo tempo, Lutero manifestou desprezo pelas Sagradas Escrituras ao alterar textos sagrados para os adaptar às suas ideias pessoais. Assim, ele rejeitou a ideia de que as boas obras são necessárias para a salvação. Ele teve a audácia de alterar o 28º versículo do Capitulo III da Epístola de São Paulo aos Romanos em que se lê: “Assim, concluímos ser o homem justificado sem as obras,  pela fé na Lei.” Lutero acrescentou a palavra ‘só’ ao texto sagrado para reforçar a sua opinião herética. E a qualquer dos seus seguidores que se opusesse à perversão que fizera ao texto, Lutero fulminá-lo-ia:  
“-Se qualquer Papista vos incomodar por causa da palavra [“só”], dizei-lhe sem hesitar: ‘-É o Dr. Martinho Lutero que assim o quer.  Papista e asno são uma e a mesma coisa.”6
Como é óbvio, o orgulho era um dos seus principais defeitos.  Alardeando a infalibilidade e superioridade da sua própria doutrina, Lutero vangloriava-se:
“-Quem quer que ensine diferente de mim, mesmo que seja um anjo do Céu, que esse seja anátema!” Além disso, afirmou ainda:“-Sei que sou mais erudito que todas as universidades!…”7
Lutero prosseguiu, rejeitando vários livros da Bíblia por os julgar inaceitáveis. Denunciou a Epístola de São Tiago por ser “uma epístola de palha”.
 “Não mantenho” — dizia ele — “que sejam escritos autênticos de São Tiago nem posso incluí-los entre os livros principais”. O facto é que ele rejeitou a Epístola de São Tiago, porque proclama a necessidade das boas obras e isso estava em oposição com a sua heresia.
Lutero também rejeitou o Livro do Apocalipse:
“Há muitas coisas censuráveis neste livro; na minha opinião não tem qualquer característica apostólica ou profética…Toda a gente pode atingir uma compreensão pessoal deste livro; mas, quanto a mim, sinto aversão a ele — o que é, para mim, motivo suficiente para o rejeitar.”8
De seguida, Lutero rejeitou a força obrigatória da lei moral:
“Devemos remover o Decálogo da vista e do coração.”9
E além disso, afirmou:
“Se Moisés tentar intimidar-vos com os seus imbecis Dez Mandamentos, dizei-lhe sem hesitar: ‘-É melhor afastares-te dos Judeus!’”10
Lutero Perverte a Moralidade
Lutero, um religioso Agostinho ordenado padre, quebrou o seu voto de celibato para se casar com uma freira, também sujeita a um voto de celibato. Lutero incentivou muitos outros padres e religiosos a quebrarem os seus votos de celibato e a casarem-se.
A abordagem de Lutero era, afinal de contas, uma entrega à sensualidade e ao mundanismo num tempo de lassidão moral. Como explica o professor Thomas Neil, o apelo de Lutero ao clero do seu tempo foi bem-sucedido: “Ofereceu-lhes esposas e eles queriam esposas. Tirou-os dos mosteiros e pô-los na praça pública, e eles queriam viver na sociedade mundana.”11
O eminente convertido David Goldstein escreveu: “Os escritos de Lutero sobre as relações sexuais são o oposto daquilo que é decente. Só vamos encontrar a sua aprovação em escritos socialistas sobre o amor livre. É aí que os escritos libidinosos de Lutero lhe ganharam a distinção de ser considerado o ‘expoente clássico’ do ‘sensualismo saudável’.12 Muitas vezes através dos séculos, infelizmente, as imoralidades desacreditaram o ministério cristão; mas Lutero possui a distinção pouco invejável de ter mesmo defendido os pecados impuros como sendo ‘necessários’.13
E porque Lutero ensinava que o homem é inerentemente corrupto e que os seus pecados nunca são realmente perdoados, mas apenas cobertos pelo sangue de Cristo sob a condição de ele fazer um ato de “fé” na salvação de Cristo, instou junto do seu amigo Melanchton:
“-Sê um pecador e peca com audácia, mas acredita com mais audácia ainda!”14
-Como é contrária a isto a verdadeira Doutrina Católica, que nos manda não só evitar o pecado, mas também as ocasiões de pecar!
A Crueldade de Lutero
Apesar de Lutero se ter aproveitado dos camponeses do seu tempo para popularizar a sua sublevação que, inadvertidamente, provocou as classes proletárias a fazerem uma rebelião que tinha já vindo a ulcerar os seus corações, depois Lutero aliou-se aos príncipes contra os camponeses. Como exemplo da sua desumana crueldade, Lutero aconselhava os príncipes, no caso de os camponeses
“roubarem e se tornarem vorazes como cães enfurecidos … -cortai-os em pedaços, estrangulai-os e apunhalai-os, tal como nós temos o dever de matar um cão raivoso.”15
O Estilhaçamento da Cristandade
Na obra The Protestant Reformation, o Padre Thomas Scott Preston esboça as consequências do argumento de Lutero de que cada homem é livre de interpretar como quiser as Sagradas Escrituras.
“Em teoria” — escreve o Padre Preston — “o juízo privado destrói tanto o credo como a possibilidade de fé. Não pode haver um credo em que cada individuo é autor da sua própria fé. Não pode haver uma unicidade de fé quando todas as questões de crença são deixadas ao juízo do individuo. Cada homem é tão capaz como o outro no descobrimento da sua própria fé e na interpretação das Sagradas Escrituras, da Tradição ou da História; além disso, este juízo privado não é simplesmente um privilégio seu, mas um seu dever. Todos são obrigados – até os ignorantes e analfabetos – a decidir por si próprios quando não há autoridade e testemunhos divinos, e por isso há tantos credos quantos os indivíduos.”16
Até o escritor não-Católico Friedrich Paulson assinalou corretamente: “O termo correto para descrever a Reforma deve ser ‘Revolução’ … A obra de Lutero não era uma Reforma, uma ‘re-formação’ da Igreja existente por meio das suas próprias instituições, mas sim a destruição da forma antiga e, na realidade, a negação fundamental de toda e qualquer Igreja.”17
O resultado final foi o facto de milhões de almas se terem afastado da única verdadeira Igreja estabelecida por Cristo — o que, consequentemente, provocou o estilhaçamento da unicidade da Cristandade.
Como assinalou Monsenhor Joseph Clifford Fenton, eminente teólogo americano, a alegada Reforma da Igreja Católica por Martinho Lutero “consistiu num esforço para fazer com que as pessoas abandonassem a Fé Católica, e renunciassem à sua filiação à única verdadeira Igreja militante do Novo Testamento, para seguirem o ensinamento de Lutero e entrarem na sua organização.”18
Apesar da desonestidade ecuménica e sentimental de eclesiásticos de altos cargos, não se pode disfarçar a arrogância de Lutero e os seus graves erros contra a Fé. Na verdade, a atual colaboração ecuménica entre Católicos e Luteranos é, nas palavras de Papa Pio XI, uma “falsa religião cristã, totalmente alheia à única e verdadeira Igreja de Cristo.”19
Não Há Nada para Celebrar!
Os erros de Martinho Lutero — e do Protestantismo que ele iniciou — não poderiam ser mais contrários às lindas verdades católicas reiteradas por Nossa Senhora de Fátima.
Em Fátima, Nossa Senhora reafirmou doutrinas basilares católicas que Lutero negara, tais como a Missa e a Eucaristia, a realidade do pecado pessoal, a necessidade da Confissão e da reparação, a realidade e centralidade do Papado estabelecido por Cristo, a humildade da submissão à doutrina perene da Igreja Católica, e a caridade que deve mostrar-se ao próximo em vez da ordem de Lutero de “estrangular” e apunhalar” os camponeses, caso fiquem fora do controle das classes sociais superiores.
No dia 13 de Outubro de 1917, para comprovar a veracidade das Suas palavras, Nossa Senhora de Fátima operou o assombroso Milagre do Sol perante 70.000 testemunhas. Não há nenhuma comparação entre as formosas verdades proferidas por Nossa Senhora e o veneno herético vomitado por Martinho Lutero.
É por isso que é impossível condescender com o facto de um Católico ir celebrar Lutero de qualquer maneira que seja! Só os que têm uma mentalidade protestante e modernista farão isso.  Martinho Lutero não deveria ser nem admirado nem imitado! Tal como a Igreja ensinou consistentemente ao longo de quatro séculos, a doutrina dele, e o movimento que ele começou são apenas dignos de condenação.
O 500º aniversário da sublevação destrutiva de Lutero deve antes ser um tempo em que os Católicos celebrem o centenário de 1917 de Nossa Senhora de Fátima, e em que rezem e trabalhem pela conversão dos Protestantes à única verdadeira Igreja de Cristo, a Igreja Católica.



1. The Facts Against Luther, Mons. Patrick O’ Hare, p. 89.


2. Ibid, p. 90


3. Luther, Hartman Grisar, S.J. (tradução inglesa, Herder), Vol 2 p. 166; Vol 4. p. 525.


4. The Defense of the Priesthood, São João Fisher, traduzido por Mons. P.E. Hallet, p. 2.


5. Ibid, pp. 2-3.


6. Amic. Discussion, I, 127 – extraído de Campaigners for Christ Handbook, David Goldstein, pp. 197-198.


7. Facts About Luther, p. 20.


8. Ibid, p. 203.


9. De Wette, IV, p. 188.


10. Works, Wittenberg, ed. V, 1573, tomado de Goldstein pp. 197-198.


11. Makers of the Modern Mind, Thomas P. Neil, PhD., p. 24.


12. Babel, Woman, p. 78, Nova York, 1910 (de Goldstein).


13. Citado de Goldstein, p. 198.


14. Facts About Luther, p. 119.


15. Makers of the Modern Mind, p. 25.


16. Facts About Luther, pp. 167-168.


17. Ibid, pp. 168-169.


18. “The Council and Father Kung”, Mons. Joseph Clifford Fenton, American Ecclesiastical Review, Setembro de 1962.


19. Papa Pio XI, Mortalium Animos, 6 de Janeiro de 1928.  




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